WASHINGTON

Guilherme Lorandi tinha 26 anos quando a Gibiteria, onde ele trabalhava como vendedor-faz-tudo, fechou as portas, em 2018. Em vez de se desanimar com o fim da casa de gibis, vítima das agruras do mundo editorial, o rapaz saiu do roteiro. Criou a sua própria loja, no mesmo endereço.

Não foi fácil, mas a casa —que batizou de Monstra— sobreviveu. Deu tão certo que Lorandi inaugurou, no fim do ano passado, uma editora de mesmo nome. Seu primeiro lançamento, "Risca Faca", de André Kitagawa, é uma das grandes publicações destes meses. Hoje, Lorandi tem 29 anos.

A história dele dá conta de como o mercado de HQs nacionais vive um momento que —como diz a expressão— não está no gibi. O setor passa por uma de suas fases de maior vitalidade das últimas décadas.

Contrariando as previsões pessimistas, surgiram novas lojas e editoras. Além da Monstra, a editora Brasa acaba de entrar no mercado, por exemplo. Veteranos que tinham se afastado do setor estão voltando aos poucos. A temática dos gibis tem se afiado também, tratando cada vez mais de assuntos como política, racismo, transfobia e pobreza.

Diogo Bercito

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